Sobre o evento

Nesse ano, o Instituto Federal Fluminense por meio da Coordenação de Políticas Culturais e Diversidade da Diretoria de Políticas Estudantis, Culturais e Esportivas promove o Congresso Regional de Cultura (CORCULT), em parceria com o Instituto Federal do Rio de Janeiro e com o Fórum Interuniversitário de Cultura (FIC) que reúne as onze instituições do estado fluminense.

O CORCULT reúne três eventos: II Encontro de Cultura do IFFluminense, II Fórum de Gestão Cultural das Instituições de Ensino Superior da Região Sudeste e o III Festival do Fórum Interuniversitário de Cultura (FestFIC). O II Encontro de Cultura do IFFluminense tem como objetivo a avaliação e divulgação das ações culturais realizadas pelo Instituto Federal Fluminense. Pretende-se, também, proporcionar a criação de espaços para discussão e reflexões sobre: o importante papel da Cultura na formação integral dos acadêmicos e do compromisso da Instituição perante as questões sociais; a possibilidade de reconhecimento e constatação de que o Instituto não é a detentora absoluta do conhecimento e dos saberes; as diferentes áreas de atuação da cultura como canal de comunicação entre a Instituição e sociedade; o papel preponderante da Instituição no processo de descentralização e ampliação do sistema cultural e a responsabilidade da Instituição no reconhecimento e divulgação dos valores culturais tradicionais e contemporâneos de forma que sejam conhecidos e incorporados, sobretudo pelas novas gerações e pelos historicamente excluídos. O II Fórum de Gestão Cultural das Instituições de Ensino Superior (IES) da Região Sudeste tem como objetivo reunir agentes, produtores e gestores culturais das IES Sudeste para: pensar coletivamente as demandas institucionais; compartilhar as melhores práticas institucionais de gestão em Cultura; configurar como um espaço de trocas de experiências e fortalecimento de parcerias entre as IES do Sudeste; propor políticas e diretrizes básicas que permitam o fortalecimento de ações culturais das pró-reitorias e órgãos que gerem a Cultura das Instituições de Ensino Superior da Região Sudeste; manter articulação permanente com representações dos dirigentes de instituições de educação superior e com os demais fóruns de Pró-Reitores, a fim de desenvolver ações conjuntas que visem à real integração da prática acadêmica; manter articulação permanente com instituições da sociedade civil, do setor produtivo e dos poderes constituídos, com vistas à constante ampliação da inserção social das IES; incentivar o desenvolvimento da informação, avaliação, gestão e divulgação das ações culturais realizadas pelas IES.

O Encontro de Cultura do IFFluminense surge para que os estudantes e servidores tenham contato com o corpo-alma do outro que gentilmente se coloca perante o trabalho desenvolvido e aprofundado durante meses de prática extensionista e de pesquisa no campo artístico-cultural. E em 2019, num momento histórico-político bastante controverso e belígero, onde o fazer artístico-cultural é questionado, problematizado e cada vez menos valorizado tanto pelas gestões de instituições de cultura; agências de fomento em seus editais; e até mesmo pela própria sociedade pela qual a expressão artística é trucidada por moralismos e censuras nada fundamentadas, que cerceiam a liberdade das manifestações artísticas e culturais e a reflexão que o próprio público possa vir a ter em sua recepção.

Ao mesmo tempo, o cenário descrito pressiona nossa vontade de sairmos do nosso lugar para encontrarmos outros públicos. Com o apoio do IFRJ, da UFRJ e do FestFIC, o IFFluminense campus Cabo Frio sediará nosso congresso, prevendo além de apresentações artístico-culturais, debates entre realizadores e pensadores e oficinas realizadas por artistas locais e convidados das Instituições parceiras.

Destaco as palavras do dramaturgo romeno Matéi Visniec sobre a ação artística:

Eu sempre confiei na força do olhar particular do artista. Ele é menos impregnado de ideologia, menos submisso à pressão midiática, mais livre e desinibido. O que eu quero dizer, para ser mais preciso, é que hoje em dia o futuro é decidido por um círculo restrito de indivíduos e figuras da globalização. Metaforicamente falando, há em algum lugar uma grande mesa redonda e ao seu redor estão reunidos os arquitetos do nosso futuro. Mas ao redor dessa mesa eu só vejo os responsáveis políticos, os banqueiros, financiadores, militares, grandes patrões, publicitários, promotores da indústria de ponta, diretores de multinacionais. Eu não vejo nenhum escritor, poeta, filósofo, artista, jornalista investigativo, professor.
Acho inaceitável que a voz desses ‘atores’ da realidade seja inaudível. Eu milito para que o artista (portanto o teatro também) possa se sentar a essa mesa onde nós tentamos construir o futuro e compreender as dificuldades do presente. O artista é indispensável porque é o perturbador profissional da banalidade, da monotonia, do dogmatismo e do pensamento politicamente correto.